Do fim do namoro.

20 nov

por SQ.

A partir de hoje, iniciamos uma série literária que tem como objetivo a desmoralização de convenções sociais como: namoro; casamento; e todas as relações conjugais baseadas em morais . Pretendemos demonstrar a fragilidade de suas estruturas, seus infinitos desprazeres e principalmente a falácia que consiste seus padrões morais. De modo que o fracasso deste tipo de relação é conseqüência não só degenerativa como inevitável.

Foto: http://elaseeunomeio.blogspot.com/

Do início do namoro e do início dos desprazeres.

Do início do namoro se dá o início da extinção do sentido real da palavra indivíduo, não obstante, do seu fim se dá o início ou a volta do mesmo. Para argumentar essa tese é necessário antes discorrer justamente sobre o porquê do seu início.

É no flerte que se dá uma das sensações mais prazerosas que o ser humano pode sentir. É nesse átimo de poucos segundos que dois olhares se encontram, que toda uma existência se faz valer à pena. Porém o que vemos a seguir é um conjunto de equívocos e erros que tornam esse primeiro momento não só esquecido, como despertam o desejo de ele nunca ter acontecido.

Não tentaremos argumentar porque isso acontece, entediando o leitor com teorias e mais teorias, entretanto, vamos mostrar como isso acontece, de forma direta e objetiva.

Após o flerte vem o primeiro contato verbal. As mentes, antes acostumadas a pensar por si só, se encontram em um novo mundo seguro e já começam a pensar por dois. Chega o momento do encontro dos corpos, ansiosos desde o flerte, e nessa junção corporal as duas pessoas finalmente selam o acordo e juram quem não são mais dois, mas um novo um.

A seguir começam os primeiros sinais do afastamento das outras relações interpessoais. Os amigos são os primeiros a perceber esse afastamento, visto que os amantes, com as mentes já ajustadas na sintonia moral da relação cristão-monogâmica, perdem consideravelmente o poder de análise do mundo exterior ao namoro. Tanto é, que muitas vezes mal se dão conta de que se afastaram do “mundo” e crêem em um demasiado exagero por parte dos amigos.

Após alguns meses, ou dias (dependendo da intensidade da relação), as mentes, recém acostumadas a pensar por dois, começam a ter recaídas, e a querer novamente pensar por um. Os corpos, saturados de êxtase, começam a pedir descanso ou novidade, mesmo que apenas em vertigens ou sonhos. E o namoro começa a ruir.

Vejamos uma pequena lista de desprazeres que se dão a seguir:

– desejo de sair apenas com amigos e não poder.
– obrigação de relatar todos seus passos todos os dias (principalmente nos finais de semana)
– sentimento de angústia quando não está junto do parceiro (a).
– medo de traição.
– mania de perseguição.
– irritação excessiva.
– brigas banais freqüentemente.
– em casos mais agudos: depressão.
– carência e incapacidade de ação para terminar o namoro.

Há muitas variantes que podem amenizar e prevenir todos esses desprazeres e manter fortalecido o sentimento de ligação. Porém, todas as variantes têm efeito paliativo.

A distância entre o casal, no caso de os dois não morarem na mesma cidade; o diálogo permanente; a inteligência estratégica do casal a fim de evitar os desprazeres; o bom-senso e a liberdade condicional concedida podem retardar os efeitos negativos de um namoro. Entretanto, com o mínimo descuido, a relação cai nas armadilhas do próprio contrato conjugal estabelecido sob juras de amor monogâmico.

É evidente que temos conhecimento de casos de namoro que ultrapassam vários anos, ou que conseqüentemente, acabam seguindo a trajetória padrão e estereotipada da família burguês-cristã, e se transformam em matrimônio legitimado por deus e pelo cartório dos homens, o casamento (o próximo tema dessa série). Por outro lado, precisamos perguntar se em determinados casos os parceiros se amam, ou se se suportam, ou ainda, se renunciam de vez a liberdade individual e mantém o contrato apenas por inércia.

Apesar das dificuldades financeiras, da burocracia envolvida e da possível crítica social, vemos que o numero de divórcios não pára de aumentar. Nesses casos, a vontade de se emancipar e o desejo de voltar a ter a liberdade individual são as principais forças motivadoras para o encerramento do contrato. Acontece que muitas vezes, as mesmas pessoas voltam a cometer o mesmo erro, se fechando num namoro convencional ou mesmo num novo casamento. Essas pessoas vão casar e descasar, procurando sempre a pessoa perfeita e considerando a última a errada.

Aí chegamos ao ponto conclusivo desse primeiro artigo da série. Não existe apenas a pessoa errada, mas também relacionamento errado. Não sabemos qual tipo de relacionamento é infalível e perfeito. Aliás, esse tipo de relação existe? É isso que devemos buscar? Óbvio que nao. Devemos buscar uma relação que nos dê prazer em todas suas potencialidades! e já sabemos de um tipo de relacionamento que definitivamente nao dá essa possibilidade de prazeres, ao contrário, nos enfada, irrita e entristece com seus desprazeres: o relacionamento monogâmico, estereotipado, hipócrita e desprazeroso, inventado pelo cristianismo.

É interessante ter consciência de que o amor não é um sentimento inflexível, ao contrário, é possível moldá-lo de maneiras originais e que reflitam a conveniência de cada caso. E é importante também ter consciência das pulsões inatas do ser humano, e que é possível mascarar seus instintos mais primitivos, porém nao deveríamos ignorá-los.

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19 Respostas to “Do fim do namoro.”

  1. Leonardo 20 de novembro de 2009 às 19:08 #

    Sei não, talvez neste artigo a individualidade, tanto como o “poder de análise fria” tenham sido um tanto superestimados. O primeiro não é mais responsável pela perda de identidade do que pertencer a um grupo, ou àlguma tribo moderna, como o movimento Striking. Quanto ao segundo: para que isso acontecesse seria necessário que o indivíduo já possuísse uma capacidade de analisar friamente o mundo, coisa que nem sempre acontece e que, se comparada ao poder da paixão e do amor (que, de fato, existem) não tem a menor importância. Por isso abre-se mão dessa capacidade muitas vezes voluntariamente ou, em outros casos, subconscientemente.

    É óbvio que a razão é importante, mas os sentidos e as emoções também.

    Vejo que minha interferência aqui diz respeito somente à estes pontos porque já concordo com o resto, mas, mesmo assim, adiciono que há exceções à regra do final inevitável do amor e do romance. Há casais que só passaram a se amar mais ainda com o tempo e conheço alguns que nunca brigaram, mas, como eu disse, são exceções e uma das coisas que aprendi são que as exceções confirmam a regra.

  2. Ricardo Lamacchia 21 de novembro de 2009 às 5:25 #

    Dizer que o namoro não dá certo é exagerar demais. Concordo com alguns itens da lista dos desprazeres, mas o que nos dá o fascínio do namoro é a flexibilidade e a exaustão que podemos ter em alguns momentos de nosso relacionamento, de modo que possamos preenchê-lo em algum momento de vulnerabilidade. O último parágrafo do texto preenche bem o idealismo do blog: Bissexualismo, homossexualismo e poligamia ou qualquer outra coisa como queiram interpretar. Afinal, quem não ama não confia.

  3. conrado 21 de novembro de 2009 às 13:19 #

    é terrível, lembro-me de quando eu achava que um cara da minha banda parecia querer terminar o ensaio logo para poder ficar com a namorada. Bem, foda-se. Atualmente eu bem que queria ter uma companhia, por mais que isso possa ser um costume cristao, ou faça parte do imaginário popular, por meio de romances e filmes

  4. strikingquadra 21 de novembro de 2009 às 15:24 #

    este texto é a favor do amor. é justamente pelo amor que ele foi escrito.

    ter uma companhia é essencial e uma das coisas mais gostosas do mundo. nao entendamos errado. esse é uma artigo pró-amor livre, e de uma forma ainda mais intensa.

    Ricardo. Seu preconceito só reflete sua total falta de conhecimento de causa, alias, relacoes humanas realmente nao é seu forte. Receio que vc esteja perdendo a faculdade de pensar. Continue participando.

  5. Vinícius silvestre 21 de novembro de 2009 às 18:24 #

    Gostei muito do escrito, novos parâmetros para a quebra de conceitos flácidos em nossa sociedade são importantes, geralmente esse tipo de discussão fica muito ligado a instituições acadêmicas e círculos intelectuais.

    Acredito que inventar possibilidades de vivência baseadas na ética e na pessoalidade, contornam, se não alivia o grave mal estar em que nossa sociedade vive.

    Qual o problema em ser idealista?

    A grafia correta das palavras: Bissexualidade, Homossexualidade.

  6. Ricardo Lamacchia 21 de novembro de 2009 às 19:28 #

    AUHUAHUAHUAHAU Tô rindo cada vez mais com esse blog

  7. Ricardo Lamacchia 21 de novembro de 2009 às 19:34 #

    Gabriel, preconceito por quê? só expus o idealismo do mundinho hype.
    Vinícius Silvestre, se você fosse um hype inteligente consultaria o dicionário e veria que Homossexualismo e Bissexualismo é a mesma cosia que Homossexualidade e Bissexualidade, porém com substantivos masculinos.

  8. Vinícius silvestre 21 de novembro de 2009 às 19:48 #

    O sufixo ‘ismo’ denota doença ou disturbio.

  9. zeH 22 de novembro de 2009 às 10:59 #

    a lista de pazeres foi bem elaborada, apesar de nao ser uma ciencia exata
    e de ser uma analise pessoal
    como disse recentemente um ”amigo” que meu forte era a mentira me sinto a vontade pra falar do assunto

    alem de ser muito sujetiva e expresso amor

    sera dita pra inumeras pessoas na vida, fodendo o conceito de exclusividade

    como diria farroukh mercury amor eh uma palavra fora de moda

  10. zeH 22 de novembro de 2009 às 11:01 #

    * subjetiva
    *prazeres

  11. Leonardo 22 de novembro de 2009 às 13:32 #

    Sim… Comunismo, capitalismo, espiritismo, cubismo. Tudo doença.

  12. Leonardo 22 de novembro de 2009 às 13:52 #

    Só pra esclarecer: esse meu último post não foi uma ironia.

  13. Carol 22 de novembro de 2009 às 21:00 #

    Maturidade, preservação de liberdade ou pura ilusão?

    Optar por ter um “relacionamento aberto” é uma escolha ilusória e momentânea. Não existe uma manutenção sadia conforme a relação for se estreitando. Prove seu ponto quando estiver com 40 anos, mantendo alguma relação do tipo que você idealiza.

    Relacionamento aberto é uma utopia, é impossível não ter comprometimento quando se ama.

    Esse texto não é a favor do amor, é a favor da liberdade individual.

  14. Gustavo Soares ( novo pássaro) 23 de novembro de 2009 às 15:09 #

    Como o gabriel costuma dizer, desmontei o namoro, vou desmontar o casamento.. sera que o jabor tambem desmontou o seu texto?

    “Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta
    os braços, sorri e dispara: ´eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e
    todo mundo é meu também´.
    No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos
    descompromissados, os adeptos da geração ´tribalista´ se dirigem aos
    consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e
    reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.
    A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
    Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo – beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso
    comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como:
    não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
    Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor.
    Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser
    cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia
    para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e
    receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter ´alguém para amar´.. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento…”

  15. Gabriel Lot Soares 23 de novembro de 2009 às 15:17 #

    belo texto.

    A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.

    ai consiste o erro dos namorados convencionais. é uma das regras do namoro monogamico. a posse. imaginamos uma situaçao hipotetica. eliminemos a posse e tenhamos um relacionamento trezentas tonelas mais leve.

    o texto do fim do namoro pretende desmontar a estrutura do namoro mas nunca os prazeres do amor e da relaçao a dois. Muito pelo contrario, é por valorizar esses momentos que refletimos sobre uma maneira alternativa de se relacionar.

  16. Gabriel Lot Soares 23 de novembro de 2009 às 15:19 #

    alias.

    pq precisamos optar entre o prazer de ver um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso ou sair pra uma balada apenas com os amigos?

    pq nao podemos fazer as duas coisas? ver o filme num dia e sair no outro?

    =)

  17. Douglas 24 de novembro de 2009 às 17:50 #

    Amo muito todos voces =]

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