As 10 bandas nacionais mais injustiçadas da década.

11 dez

por Serginho (Striking Quadra).

Elas ainda não aconteceram e é provável que fiquem para sempre nesse meio do caminho entre o ultra subterrâneo e show para platéias de, no máximo, 100 espectadores. Na maioria dos casos, o rótulo indie não cabe nelas, já que boa parte dispensa as frescuras habituais de quem adota a expressão para se autoclassificar.

São bandas prontas, bem ensaiadas, com o ‘produto final’ no ponto para ser entregue, apelo radiofônico (ainda existe isso?) suficiente mas até agora não observadas a contento por gravadoras e críticos influentes. Tudo bem que hoje a internet tem poder quase milagroso de abrir portas inimagináveis. Mas as bandas listadas abaixo mereciam um pouco mais do que apenas hits em seus Myspaces e índices satisfatórios de downloads gratuitos. Ainda que seja o futuro, não é suficiente para tirar os músicos dos empregos formais utilizados para sustentar o hobby. (Filipe Albuquerque, 2009, on line)

Assumindo posição direcionada e ao mesmo tempo opinativa, pode este post ser encarado de maneira auto-pessoal, mas principalmente como incentivo (quem possuir disposição para uma busca mais ‘detalhada’) para acesso a bandas que não estão no mainstream, e que não perdem nada para as que estão.
Prosseguindo na proposta do post, encabeçando a lista , está a minha favorita:

Phonopop (http://www.myspace.com/phonopopjanaohatempo)


Banda de Brasília formada em 2001, 2 (dois) discos gravados e alguns shows (nada de mega-produção) pelo país. Essa banda agrupa elementos de uma música contemporânea de verdade, mas deixando transparecer também a forte influência dos Beatles. Sobra na colocação de melodias que casam perfeitamente com as letras criteriosas e belas do vocalista Fernando Brasil. Trata-se de um som pouco comum nos dias de hoje, um Powerpop direcionado pelos admiráveis acordes sem distorção de uma especial guitarra Rickenbacker. Música boa mesmo, para qualquer ocasião.

Ecos Falsos (http://www.myspace.com/ecosfalsos)

Banda que consegue somar referências de Radiohead e Sonic Youth sem soar chatos. Espécie de Los Hermanos paulistanos, cômicos e sem a pretensão débil da turma da PUC/RJ. Começaram a fazer música em 2001 de uma forma quase que universal, na faculdade. Ganharam força em 2007 com ajuda da internet, ‘bombando’ no Youtube e Myspace, mas ainda não conseguiram marcar território no lugar que mereciam e deveriam estar.

Superguidis (http://www.myspace.com/superguidis)


Os caras misturam os melhores momentos de Teenage Fanclub, Pavement e Dinosaur Jr com letras irônicas e bem sacadas em português. Diferentemente do que consagrou o indie rock nos anos 90, o vocalista sabe cantar. Gosto muita da música Dia de Cão. Nunca fui a nenhum show deles, nem soube de algum pela capital paulista, ou seja, estagnados avec elegance.

Bazar Pamplona (http://www.myspace.com/bazarpamplona)
“Vocês têm afinador? Então por que não usam?”
Paco Garcia (Los Piratas)

Os Bazares (como gostam de ser chamados) são crias da cidade de São Paulo, e o som mostra a influencia da metrópole principalmente nas letras. Eles proporcionam um som excêntrico, com megafones, peculiaridades teatrais, cenários estranhos e outras invenções. Algo que faz lembrar um pouco (bem pouco) uma mistura de Os Mutantes com Velvet Underground.

Wandula (http://www.myspace.com/wandula)

O mais próximo da chanson francesa que indies curitibanos derivados de outras bandas conseguiram chegar. A voz da polonesa Edith não encontra semelhantes no pop brasileiro. Acordeon e harpa se juntam a uma Fender Jazzmaster pra fazer uma das misturas mais improváveis que o mercadão nacional nunca vai ser capaz de fazer.

Pélico (http://www.myspace.com/pelico)

Conforme expressa claramente seu release, Pélico pensa que compõe, canta e toca guitarra. Já lançou um EP, mas a crítica ainda não se expressou sobre seu trabalho. Sua música não é revolucionária nem mistura grandes influências. Não é filho de ninguém e não iniciou nenhum estudo musical com alguém especial. Pélico não foi um menino-prodígio, nunca pertenceu a nenhuma banda e não desenvolveu trabalho em parceria com ninguém reconhecido. Nunca foi gravado por ninguém “mais ou menos famoso” nem ganhou nenhum festival. Ainda não fez turnês internacionais nem regionais. Em resumo, Pélico está pronto para o estrelato.

Nevilton (http://www.myspace.com/nevilton)

Fãs garantem que este paranaense já está pronto pra arrebentar. Rock de pegada inglesa, lembra o Supergrass mas com alguns poucos elementos de música brasileira. Tudo o que o rock nacional deveria ser se não fosse conduzido por velhotes que se levam a sério.

Violins (http://www.myspace.com/violinsbr)


No atual cenário da música independente nacional o Violins, de Goiânia, é uma das bandas mais consistentes, imprevisíveis e ousadas em relação à produção de seus trabalhos. E uma coisa que não se pode dizer sobre a banda é que ela é previsível, que segue uma fórmula e assim leva sua carreira. Ainda bem que não. Em 2001, quando ainda assinava como Violins And Old Books e cantava em inglês, chamou atenção com o EP “Wake Up And Dream”, resquícios de Radiohead e Echo & The Bunnymen pouco ou nada comuns no cenário nacional. Com isso, seria fácil para a banda seguir a linha e continuar com sua vidinha pacata e tranqüila. Mas não, tiraram os livros velhos do nome e cometeram uma preciosidade, conhecida como “Aurora Prisma” (2003). (Lafaiete Júnior, Programa Alto Falante, 2009).

Os Amantes Invisíveis (http://www.myspace.com/osamantesinvisiveis)

Conduzido diretamente de Londres pela brasileira Marina Ribeiro e pelo grego Alexis Gotsis, somam tropicália a TV on the Radio e Yeah Yeah Yeahs sem precisar pagar de cool em pista bombada da baixa Rua Augusta. Prometem trocar a Inglaterra pelo Brasil em breve. Possuem na ‘sacola’ de canções, uma sobre o virtuoso guitarrista Lanny Gordin. Se a vida fosse justa, seriam eles, e não a Cansei de Ser Sexy, a conquistar a crítica mundial. (não é para tanto né?).

Jupiter Maçã (http://www.myspace.com/jupiterapple)

Diferente da vida útil de todas as bandas até agora, esse personagem é um ultra veterano vítima grave da injustiça musical. É ex vocalista da extinta e divertidíssima oitentista banda gaúcha Os Cascavelletes, que teve música sobre masturbação em trilha sonora de novela da Globo e dublou a música ‘Eu Quis Comer Você’ no Clube da Criança, da finada TV Manchete, apresentado pela Angélica. É respeitadíssimo na conceituada escola de Rock do Rio Grande do Sul e conhecido por uma ‘galerinha’ em São Paulo.

Hoje é ainda mais bizarro e afetado do que nos anos 80. Seria o nosso Iggy Pop, mais lisérgico e menos punk, não fosse a esnobada que vive levando da imprensa.

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3 Respostas to “As 10 bandas nacionais mais injustiçadas da década.”

  1. Leonardo 14 de dezembro de 2009 às 11:30 #

    Com excecao de Jupiter Maca nunca ouvi nenhuma da lista (o que era de se esperar). Por mim essa que ouvi poderia permanecer pra sempre no meio do caminho.

  2. Hypezinho do barulho 16 de dezembro de 2009 às 15:00 #

    Bandinhas “british wannabe”… Mais do mesmo. Dispensáveis!

  3. Manga 26 de dezembro de 2009 às 11:36 #

    Sempre rola uma listinha, neh… colocava tb o Grenade!!

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