O amor em “O Vermelho e o Negro” de Stendhal e porque prefiro Julien a Werther.

10 fev

por SQ.

Antes de tudo trata-se de não menosprezar a vida interior. Trata-se de não se olvidar do incrível mundo que acontece dentro do indivíduo em meio à turbulência rotineira da vida cotidiana. “O Vermelho e o Negro” é um romance psicológico. É enfadonho aos leitores acostumados a aventuras enredadas com centenas de surpresas e reviravoltas e ações, não obstante, é um deleite aos amantes das aventuras silenciosas que mais parecem uma montanha-russa: os sentimentos humanos, especialmente, o amor.
leia na íntegra.

Julien Sorel é plebeu. Filho de carpinteiro rude e grosseiro, ele passa os dias de sua adolescência vagando entre seus livros e suas obrigações diárias. Por conta de sua intelectualidade é convidado a trabalhar como preceptor dos filhos de uma família burguesa em uma cidadezinha no interior da França no século XIX. A partir daí começam suas desventuras psicológicas. A partir daí se potencializam sua ambição e seu amor controverso e confuso por duas mulheres.

Stendhal explora o amor de maneira romântica nem por isso menos real, de forma intensa como ele realmente o é. É óbvio associar o romantismo a uma tolice exagerada como, por exemplo, em Goethe. Em Werther podemos nos encantar com sua personalidade romântica, mas nada escapa ao sentimento de exagero que ele mesmo passa. Esse mesmo sentimento nos faz sentir distantes do verdadeiro amor. Em Julien, nos sentimos próximos e seu amor nos parece muito mais verdadeiro, real, e incrivelmente não menos exagerado. Os dois heróis usam suas pistolas. Werther para expressar sua covardia, sua inércia. Julien para assegurar sua possibilidade de amar, para proteger seu amor e paradoxalmente por amar a carne que receberá as balas de sua pistola.

As loucuras de amor não são um exagero para quem está amando. O amor só é real e ardente para os corações afinados em sua melodia. Para os olhos que não o vêem e os corações que não o sentem, o amor não existe, e não podemos culpá-los por isso. Lemos nos pensamentos de Julien a explicação para os descrentes das potencialidades mais loucas do amor:

“Uma efêmera mosca nasce às nove horas da manhã nos longos dias de verão, para morrer às cinco horas da tarde; como poderia compreender a palavra noite? Dêem-lhe mais umas cinco horas de existência e ela vê e compreende o que é a noite.”

Estava programado a escrever mais parágrafos, mas após reler por duas vezes esse pensamento de Julien, sinceramente não me dá vontade de escrever nada mais. Só pensar. Ainda sim, antes de ir, espero convencer você a ler esse livro com mais um argumento. É o primeiro livro onde não existe apenas uma heroína, e sim duas.

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