Do fim do ciúme doentio. [Quarto post – sequência “Do fim do namoro]

20 fev

por SQ.

O que é o ciúme doentio? É angústia que queima o estômago. É insegurança que nos deixa tremendo de medo. É paranóia. É pânico no escuro. Onde surge o ciúme doentio? No sentimento de posse dentro das relações cristão-monogamicas. Vamos tratar de destruí-lo.
leia na íntegra.

Eu sei. Na terceira parte da série eu disse que era a última e que acabava ali. Mas tem tanta coisa pra falar sobre isso. Vou tentar escrever menos em cada post daqui pra frente. Assim não fica pesado nem tedioso; e mais pessoas se encorajarão a ler, ao contrário das duas últimas partes que foram muito grandes e admito, maçantes pro formato virtual.

Pra falar de ciúme não dá pra ir pelas bordas, é necessário ir direto ao ponto; e o ponto é: cair na real.

Situação hipotética: casal de namorados.

O mundo não existe além de vocês. Mas quando o final de semana acaba o mundo volta a existir. Vocês não estão mais grudados fingindo prestar atenção na TV. Estão na rua, cada um por si, com todos seus compromissos, suas rotinas e suas outras relações interpessoais que nunca deixarão de existir, por mais que vocês possam negá-las.

Garota que namora. O que você faz quando passa um cara bonito na calçada? Desvia o olhar porque você ama seu namorado? Ou corta relação com aquele amigo que é só amigo, mas você sabe que ele gosta de você? Joga fora aquela saia curta que usava no tempo de solteira e que te deixava tão atraente? Deleta as fotos que você está mais bonita no seu perfil de relacionamento na internet pra por uma foto com ele? Pra quê? Pra provar que ama seu namorado. Por quê? Por acaso é preciso sacrificar seu estilo, sua beleza e os encantos dos assédios que são tão saudáveis pra sua auto-estima? Nunca pensou nisso? Seu namorado ciumento quer que você seja feia. Quando você quer sair e está vestida maravilhosamente, ele diz que está cansado e que quer ficar em casa vendo filme. Caia na real.

Garoto que namora. Você só se masturba pensando na sua namorada? Ou nem isso mais? Diz logo de que cara que tem namorada quando uma menina bonita puxa papo com você? Diz pros amigos que não vai dar pra ir ao churrasco porque senão sua namorada vai brigar ou vai querer sair sozinha com as amigas depois? Pra que? Pra se sentir um lixo quando o namoro acaba e se dar conta de que negligenciou tanta coisa por nada. Caia na real.

Os jovens que se envolvem no namoro tradicional não se relacionam: se privam. Onde vocês leram que deve ser assim? Que devemos recusar nossos amigos, nossa beleza, nossa individualidade? Quem foi o guru do amor que lhes disse que o amor dura em privação e em sacrifício?

Pra acabar com o ciúme doentio. Abre. Liberta. Qualquer esforço em direção contrária é em vão, é ilusão, é tempo perdido. A angustia só some se também sumir a idéia de posse, de monogamia autoritária e de propriedade do corpo e da beleza. Alivia teu coração no absurdo de não ser tudo para seu amor. Ouve o lobo-bobo que de bobo só a rima tem. “Quem ama não pode esperar nada de quem tudo se quer.” (Meu Abismo, Meu Abrigo – Lobão) Baixar essa música.

*

E com a senhora a gente fica pensando se alguma vez traiu seu marido.

– Traiu! Que palavra horrível! Somos livres, Robert e eu…

– Mas nunca usou dessa liberdade?

– Por que uma mulher livre haveria de entregar-se a todos?

Ele me olhou severamente.

– Se um homem por quem tivesse simpatia lhe propusesse, de chofre, passarem juntos uma noite, a senhora toparia?

– Depende.

– De quê?

– Dele, de mim, das circunstâncias.

Romance: Os Mandarins – Simone de Beauvoir.

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4 Respostas to “Do fim do ciúme doentio. [Quarto post – sequência “Do fim do namoro]”

  1. Hypezinho do barulho 20 de fevereiro de 2010 às 21:31 #

    Como se ninguém soubesse de tudo isso. Boooooooring!

  2. strikingquadra 20 de fevereiro de 2010 às 21:43 #

    zhauiheuieahueahuaheuhhae

  3. Conta 21 de fevereiro de 2010 às 22:44 #

    Isso me lembra As pontes de Madson, aquele jogador baixinho do Santos que fez gol de falta! hauhau, olha, gostei, as pessoas fazem umas coisas meio fodas e bregas pelo orkut, e tinha um escritor que dizia algo do tipo: mais ridículo que a carta de amor é que nunca escreveu a carta de amor. Viva a liberdade. amor tem que ser bom.

  4. strikingquadra 22 de fevereiro de 2010 às 16:31 #

    amor tem que ser bom.
    essa merece até um post futuro. gostei!

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