O encanto feminino e o amor sincero pela liberdade em “Os Mandarins” de Simone de Beauvoir.

13 mar

por SQ.

Agora entendo porque uma amiga me respondeu: “Os Mandarins”, quando lhe perguntei qual era seu livro favorito. A maioria dos romances foi escrita por homens. Pela pena masculina lemos as descrições de muitas mulheres e seu universo; tomamo-las por reais até ler uma descrição escrita por uma mulher de verdade. Não que as descrições masculinas sejam frias ou falsas, mas não há como não reparar nos detalhes que escapam aos autores masculinos.
leia na íntegra.

Em “Os Mandarins”, o que lemos é de uma sinceridade feminina encantadora e assustadoramente firme. Eu não tinha lido nenhum romance escrito por uma mulher. Não tinha lido nenhum livro da Simone. Conhecia um pouco de sua história pela biografia Tête-à-tête que fala sobre a sua relação “alternativa” com Jean-Paul Sartre. A impressão que ficou é de uma mulher inteligente, libertária e ousada. Não esperava encontrar uma mulher tão humana, emotiva e apaixonada em “Os Mandarins”.

O livro é perfeito para compreender o universo liberal, muitas vezes mal compreendido. Desde a primeira página somos convidados a entender uma das maneiras francesas de amar: o amor livre. Desde a primeira página tomamos conhecimento de relações românticas nada comuns e prosaicas; relações libérrimas que envolviam pessoas apaixonadamente livres. Trata-se de um livro sobre liberdade e seus excessos.

Ademais, é um livro sobre amor. Amor romântico entre um homem e uma mulher; amor pela literatura e pelo exercício da escrita; amor pela amizade; amor pela política; e o amor mais forte de todos: o amor pelo o que é humano.

É um livro excelente para quem se interessa pelo existencialismo francês dos anos 50. Nos personagens de Simone encontramos, maquiados, além dela mesma, Sartre, Camus, e outros intelectuais que viveram o pós-guerra em Paris.

São oitocentas páginas escritas com uma sinceridade assustadora; páginas que nos colocam a par da intimidade mais secreta e mais bela que existe em uma mulher: sua cabeça. É um deleite para quem deseja conhecer esse mundo tão bonito e humano que jamais será encontrado mesmo nos livros mais românticos escritos por homens.

“Tinha apenas dezessete anos. Mas nós pensávamos, Robert e eu, que nunca é muito cedo para a felicidade.”

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