Paciente.

19 abr

por Conrado Passareli.

O sujeito não estava nada bem, então decidiu afogar as mágoas no bar. Pra sua infelicidade, todos os botecos nos quais ele costumava encher a cara estavam fechados e a única saída foi recorrer aos restaurantes mais sofisticados.
leia na íntegra.

Foi logo entrando, sem querer saber de mesas reservadas. Preferiu sentar-se na mesa mais próxima da janela, que era pra fumar menos cigarros passivamente.

Ninguém se incomodou com a sua presença, não foi expulso, nenhum garçom atreveu-se a reclamar. Porém o atendimento estava péssimo. Até parecia que o dono do estabelecimento não queria ganhar dinheiro. A maioria das famílias que estavam sentadas a sua volta já começavam a reclamar, “e essa pizza que não chega!?”.

Assim como a pizza, uma simples garrafa de cerveja demorava pra chegar, como se ela tivesse que passar 30 minutos no forno a lenha ou coisa parecida.
Diante de tanta demora ele esquecera porque motivo afinal ele estava naquele lugar tão chique, só sabia que estava com raiva do atendimento. Começava a se perguntar mas que diabos de dono era aquele que fazia todo mundo esperar. Porque não contratava mais atendentes?

Lá pela quinta garrafa de cerveja, cerca de três horas de espera, ele olhava para as mesas ao redor, as garrafas vazias, o álcool no sangue, agora ele sentia-se completamente nu. As famílias próximas o olhavam com um certo ar de arrogância, superioridade, como se dinheiro fosse sinal de evolução. Todos tão certinhos com suas carreiras bem sucedidas. Queria ver se por acaso, no meio de toda aquela lerdeza de atendimento começassem a aparecer stripers dançando em cima das mesas. Os homens babando, sem se dar conta da presença de suas esposas, revelando suas tendências adulteras mais ocultas.

Enquanto isso, as crianças perguntavam, “o que e’ isso papai?”, e as mães tentavam tapar os olhos de seus filhos.De nada adiantava, pois logo chegavam os garçons sem camiseta. No fundo era aquilo que faltava àquelas famílias tão certinhas e caretas que reprimiam os “instintos mais primitivos”.

Quando se deu conta do devaneio, decidiu pedir a conta. E dá-lhe mais demora. Agora ele tinha certeza de que aquele restaurante era especialista em irritar a freguesia, não importava se fossem ricos ou pobres, afinal, a cidade não oferecia concorrência. Nisso ele estava pensando até na possibilidade de sair sem pagar, mas isso não era do seu feitio. Foi quando decidiu puxar o garçom pelo braço e resolver aquela situação de uma vez por todas. Entregou-lhe uma nota de R$50 e disse, enfia o troco de R$20 em moedas de vinte e cinco centavos no meio do cu! Seu filho da puta!!!

Só que ele esperou por mais duas horas, queria certificar-se de que as moedas eram realmente de vinte e cinco centavos.

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3 Respostas to “Paciente.”

  1. conrado 20 de abril de 2010 às 18:00 #

    hauhauhauhauhauhauha

  2. djavan 21 de abril de 2010 às 14:35 #

    esse cara deveria estar num restaurante em coroados.

  3. Douglas 22 de abril de 2010 às 18:44 #

    Ai que grosso =O

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