Um elogio a mulher hedonista. Na cama. E no riso.

26 abr

por SQ.

Antes é preciso assumir a petulância de escrever sobre a mulher mesmo não sendo uma. Ainda sem o intuito de passar-me por uma, esclareço que as linhas futuras são nada menos que um elogio a mulher hedonista, ou seja, a mulher que está de bem com seu próprio corpo, consciente das possibilidades de regozijo que os cinco sentidos oferecem a todo instante. Mas alto lá. É necessário advertir logo no início: a mulher hedonista não é vulgar!
leia na íntegra.

A mulher hedonista frui, desfruta, goza, regozija, celebra. Tamanho desprendimento e leveza, é óbvio, causa inveja, ira, fúria e nojo das pessoas mais conservadoras, em sua maioria cristã. Aí vocês me perguntam, mas porque vem você de novo atirar contra o cristianismo? O que isso tem a ver?

Ora, o cristianismo é misógino, ou seja, odeia as mulheres. Isso não deveria ser novidade pra ninguém. Em seus livros sagrados, desde o pecado original (cometido por uma mulher) as pessoas do sexo feminino sempre foram perseguidas, odiadas e colocadas em um plano de total submissão e obediência.

Mas vamos voltar à mulher que ri dessas escrituras, que gargalha dos impedimentos propostos pelos textos escritos por homens recalcados e medrosos, e que não segue a ordem de expiação do corpo, ao contrário, aproveita toda a graça que, ironicamente, deus lhe deu.

A mulher hedonista além de conhecedora das possibilidades do prazer, também é conhecedora dos problemas que sua liberdade (felicidade) individual causaria se exposta abertamente, portanto ela também é prudente.

Sabe da necessidade da pudicícia social; como uma flor consciente, que controla seu aroma para não agredir violentamente as narinas ordinárias com seu perfume matador. Ao mesmo tempo, sabe da importância da entrega devassa – e por que não coquete? – quando encontra um entendedor e desfrutador dos perfumes mais refinados. A mulher hedonista goza em todos os sentidos no sexo.

Ela é perita em anatomia. Conhece a fundo cada pedacinho erógeno de seu corpo e também é caçadora de tesouros, na arte de desvendar novas zonas sensoriais escondidas na imensidão nervosa que percorre o maravilhoso corpo humano.

E acreditem! A mulher hedonista é calculista! Ela calcula seu prazer aritmeticamente, buscando sempre o prazer mais refinado. Em outras palavras, ela usa a ética aritmética epicurista na hora de escolher seus prazeres. Não se entrega a qualquer prazer vulgar. Se um prazer hoje irá lhe causar desprazeres futuros, ela o evita.

A mulher hedonista é seletiva e interpretativa. Seleciona os ensinamentos dos filósofos hedonistas e toma a liberdade para interpretá-los da maneira que lhe convém. Se por um lado usa a aritmética do prazer epicurista, por outro deixa Epicuro de lado quando ele sugere que o sexo é um prazer não-natural e não-necessário. Ela então corre de braços abertos a Aristipo, que ensina que o prazer deve ser ativo e potente; e dá uma piscadela pra Freud, que ensina a não ignorar as pulsões sexuais.

Finalmente a mulher hedonista é amante da filosofia. Que petulância! Diriam os idealistas platônicos. Eles que criticavam os epicuristas porque eles aceitavam as mulheres nas reuniões filosóficas no jardim de Epicuro.

Que bonito, minha filha filósofa! Diriam os pais cristãos liberais do século vinte e um. Será? Esses pais que achariam bonitinho se pegassem a filha de doze anos lendo O Mundo de Sofia, mas que se mostram bem diferentes quando sua filha de dezessete diz que quer prestar vestibular para Filosofia.

Aliás, a mulher hedonista gostaria de prestar vestibular pra Filosofia? Seria prazeroso fazer um curso com a grade repleta de filósofos idealistas que filosofam apenas com a cabeça e repudiam o corpo, trancados em bibliotecas tediosas cheirando a sofá velho?

No fim, ela escolhe a praia com a areia mais fofa, o jardim mais perfumado, e o colo mais libertino para ler os filósofos hedonistas, os vencidos que não figuram nos livros oficiais da filosofia. Escolhe as camas mais libidinosas e os lençóis mais lúbricos para filosofar com o corpo, como queria Nietzsche.

E como ela é graciosa! Cita Nietzsche como um aliado, aquele bigodudo que, ao que parece, não gostava muito das mulheres. Ah! Como eu amo o riso da mulher hedonista!

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2 Respostas to “Um elogio a mulher hedonista. Na cama. E no riso.”

  1. Conrado 26 de abril de 2010 às 20:25 #

    quanto tempo é necessário ficar isolado lendo livros para adquirir sabedoria? quanta sabedoria é necessária para se saborear o prazer?
    Essa mulher me lembra a Flossie hahahah.

  2. strikingquadra 27 de abril de 2010 às 21:32 #

    cult mode fail

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