O Corpo. Sua potência, seus amigos e inimigos.

29 abr

por SQ.

Mais um artigo hedonista? Ninguém aguenta mais ler sobre essa filosofia vulgar, imoral, antiética, vil, ignominiosa, suja, fedida… Você que repudia nossos textos sobre o prazer, eu não te culpo, eu te entendo. O hedonismo é sinônimo de todos esses adjetivos negativos em muitos dicionários. Embora não tenho a pretensão de mudar essa questão histórica, eu escrevo com o intuito declarado de arrancar-te um riso. Unzinho que seja. O corpo é lúdico, vem comigo!
leia íntegra.

Aprender a odiar o corpo, a ter vergonha dele, a escondê-lo. É esse o objetivo dos pedagogos conservadores. Eles que odeiam Freud e que provavelmente são feios, mal-amados, tristes, infelizes sexualmente e emburrados na maior parte do dia. Perdão pelo ataque, não quero ser mais provocativo do que já pareço. Esse parágrafo só foi para argumentar que quem é anti-hedonista não está de bem com o próprio corpo. Chamamos Nietzsche: “O desprezo pelo corpo é a conseqüência da insatisfação que se sente com relação a ele.”

Chamamos outro amigo filósofo pro nosso papo: Rousseau. Grande amigo dos sentidos, do corpo e dos prazeres. Mentira. Na verdade, o filósofo das Luzes se mostra muito obscuro quando o assunto é sexo.

Em seu livro “Emílio” ele ensina que a sexualidade deve ser relacionada à vergonha. Brincando de ser psicólogo ele receita: “abafa-se o primeiro fogo da imaginação; não o proibimos de pronunciar essas palavras e de ter essas idéias, mas lhe damos, sem que ele se de conta, repugnância ao lembrá-las.” Os seguidores de Watson e Skinner podem ver em Rousseau um exemplo de líder behaviorista. Seu reforço negativo visa castrar mentalmente o jovem.

Kant e Santo Agostinho, com seus corpos problemáticos, também ensinam mil e um truques de como reprimir os desejos e as pulsões sensuais do nosso corpo. Mas vamos convidar agora um amigo do corpo, o também filósofo Feurbach: “Se você quer melhorar os homens, torne-os felizes, mas, se quer torná-los felizes, vá as fontes de todas as felicidades, de todas as alegrias – aos sentidos.”

O hedonismo não incentiva o sexo. Hehehe, não, é sério… O sexo não precisa de incentivo. O sexo é uma pulsão natural. Simplesmente não há como escapar dele. O hedonismo incentiva, aí sim, a explorar as potencialidades sexuais, os prazeres possíveis. Sugere um sexo inteligente, bem feito e bem aproveitado. O que isso tem de errado ou de vulgar? E também tem outra, eu to aqui só falando de sexo, mas o hedonismo não celebra apenas o prazer sexual, vai muito além.

Chamo agora aquele que tem sido meu melhor amigo na solidão: Michel Onfray. “Os filósofos hedonistas celebram a festa dos sentidos, não deixam nenhum de lado, exarcebam os mais esquecidos, os mais desprezados pelos contendores do corpo. Sabem sentir, saborear, tocar, respirar, ouvir e se alegram em fazer funcionar os mecanismos sutis que permitem ao mundo fazer-se aromas, eflúvios, volumes, cores, perfumes, sons, temperaturas.”

No seu livro “A arte de ter Prazer” eu conheci a história de Abelardo e Heloísa de Notre-Dame. A história de amor desses dois me inspirou, como muitos filmes, canções e anedotas amorosas. Vou compartir com vocês resumidamente o que se passou entre eles. Sei que quem gostar vai pesquisar depois, e vale mesmo a pena!

Aberlardo tinha uma maneira peculiar de ensinar filosofia. Um dia foi convidado a ensinar filosofia a Heloísa de Notre-Dame. Ele se apaixona pela moça, que já tinha uma queda por seus pensamentos polêmicos. Mais tarde Abelardo confessa a um amigo: “Sob o pretexto de estudar, entregávamo-nos inteiros ao amor. As aulas nos proporcionavam os tête-à-tête secretos que o amor deseja. Os livros permaneciam abertos, mas o amor, mais do que nossa leitura, constituía objeto dos nossos diálogos; trocávamos mais beijos do que afirmações eruditas. Minhas mãos se voltavam com maior freqüência a seu seio do que a nossos livros.”

A partir dessa história a gente tem uma idéia nova, e muito interessante sobre o aprender, o estudar. Será que aprender e estudar têm que ser daquela maneira tradicional mesmo? Silencio, reclusão, cadeira desconfortável, ambiente cheirando a sofá velho (outra vez, pra reforçar, hehe) e cenho franzido. Ora, vamos aprender pra desfrutar, pra saber como gozar a vida em todos os sentidos. Como é mais doce aprender assim! No amor, no corpo; nos livros também, mas não só neles.

Transcrevo agora trechos de dois sonetos de dois poetas libertinos franceses, que até então, antes desse post, não figuravam em nenhuma página do Google em português.

“Estudamos mais para gozar do que para conhecer.” Des Barreaux

“Buscar sempre a honesta volúpia. Satisfazer seus desejos, manter a saúde… Os jardins, os quadros, as músicas, os versos. Uma mesa muito livre e poucos talheres.” Vauquelin des Yveteaux

Paro por hoje fazendo um convite. Um convite ao conhecimento do corpo e sua potência. Um convite ao aprendizado, teórico e prático do corpo humano. Só assim poderemos desfrutá-lo com o refinamento que ele merece.

Esqueçamos as baboseiras cristãs sobre o corpo. Eles não entendem nada sobre isso, não mesmo. Veja seus padres pedófilos. Passaram a vida toda tentando reprimir uma singela masturbação, e chegando aos quarenta e poucos anos, com a bolsa escrotal mais pesada que a de um touro zebu, de tanto espermatozóide acumulado, acabam enlouquecendo e aliviando suas pulsões naqueles que estão mais perto, os coitados dos coroinhas.

Para o hedonismo, os instintos, as paixões, são bons, pois convidam naturalmente a buscar o prazer e a fugir da dor, do desprazer. O hedonista não precisa ser um glutão, um beberrão, um devasso, um libertino. Pode-se enxergar nele apenas alguém que gosta da vida. Para ele, viver não é um mal. Viver mal o é.

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6 Respostas to “O Corpo. Sua potência, seus amigos e inimigos.”

  1. espirrodabrisa 29 de abril de 2010 às 16:10 #

    Eu não queria falar isso, mas, se você já percebeu, acho que é hora de virar o disco.

  2. Gabriel 29 de abril de 2010 às 16:47 #

    hauehehehehehiuaeheh

    po o cara la cria uma faculdade so pra ensinar o hedonismo todos os dias… eu nao posso nem fazer pequenos posts? mas tem razao… a revista nao pode falar só sobre hedonismo, mas na falta de colaboradores, tenho mesmo que postar o que ando escrevendo. voce, pode me ajudar, cade os textos que vc disse que ia colaborar dps de buenos aires? so me mandou um ate agora… sigo esperando… abracos

  3. chuty 29 de abril de 2010 às 19:33 #

    carinha, se vc soubesse o quanto vc se tornou chato, interromperia desde ontem com a sua auto-confiança em achar que é um bom escritor. Voce escreve de um jeito tao chato, que todos percebem.

  4. conrado 29 de abril de 2010 às 20:34 #

    È galerinha, vamos colaborar com novos textos pra revista!

  5. espirrodabrisa 29 de abril de 2010 às 21:14 #

    Aauahuauauuauhauhua. Vamos resolver isso pelo msn.

  6. Blancänieves 2 de maio de 2010 às 22:50 #

    Esto me recuerda muchas charlas al volante… Es muy real el hecho que el catolicismo inculca desde pequeños no solo la separación en dos géneros (primer error) sino que también enseñan a tener pudor y vergüenza. Si miramos un poco nuestra propia América y sus habitantes, los pueblos originarios, podríamos notar la felicidad que tenían esos hombres y mujeres llevando solo la ropa necesaria. Sin culpa, sin temor, sin pudor ni vergüenza de sus formas. Podemos afirmar que con la llegada de los colonizadores y la conversión al cristianismo con sus leyes, y costumbres, introdujeron el pudor y la inconformidad con cuerpo. Se perdió la enseñanza original que tenía mucho más valor frente al cuerpo humano y su exploración.

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