Meu passeio sozinho com Lisandro Aristimuño.

3 maio

por SQ.

Outro dia peguei o carro e saí sozinho para dar uma volta. Era algum dia desses onde as ruas ficam mais vazias, menos barulhentas. Fazia sol, mas a temperatura estava boa para deixar o vidro aberto. Liguei o som e deixei começar o disco do Lisandro. Logo na primeira música meu pé direito resistia em pisar no acelerador; o carro rodava só para não dizer que estava parado. Peguei meus anteojos para proteger meus olhos que já estavam vermelhos e úmidos.
leia na íntegra.

Eu não estava triste. Pra falar a verdade, me sentia muito bem. Não sei se era a voz chorosa, a letra que me lembrava as tardes de Palermo ou sei lá o que. Sei que eu não conseguia manter meus pêlos do braço dormidos. Eles teimavam em ficar de pé a cada “Es todo lo que tengo… y es todo lo que hay!”

Botei “Fecundacion” para aproveitar meu momento à flor da pele. É interessante. Segurava aquele peso que crescia na garganta. O nariz ia se enchendo, e dos olhos escaparam as primeiras gotas salgadas, mas que eram tao doces… As lágrimas eram boas. Aliviava meu ser que transbordava de emoção.

Sozinho no meu quarto em Buenos Aires eu já havia experimentado uma sensação parecida com essa música. Havia despertado debaixo dos lençóis esperando o amanhecer, como diz a letra da canção. Estava longe de quem eu amava e uma saudade prazerosa, ainda não dominada pela angústia, me fez estremecer mergulhado na letra que fazia tanto sentido pra mim.

Bem. Eu não estava mais lá. Não estava na minha cama. Estava aqui, rodando sozinho é verdade, mas tão perto do meu amor! Resolvi que era hora de colocar uma de suas músicas de desfrute e não de saudade. Foi ouvindo “Mi Memoria” que meu nariz se abriu, minha garganta deixou de pesar e meus olhos enverdeceram novamente. E cantando “por volver a tu cuerpo intenté acordame cada pedacito tuyo” minha boca já sorria para o asfalto que aparecia lentamente impassível na minha frente.

Vendo agora esse vídeo quase me arrepio novamente. Eu estava lá nesse show, na hora dessa participação especial. Me encanta a maneira como os argentinos valorizam a música tradicional de seu país. Aqueles jovens dançando e batendo palmas pra um senhor de mais de setenta anos que canta música folclore. Mas deixa pra lá. Voltando ao meu passeio ouvindo Lisandro…

Não lembro bem a sequência das músicas seguintes; nem teria razão em entediar o leitor contando detalhadamente o que senti em todas as músicas que eu tinha no disco. No total acho que foram umas vinte (si, fue largo!) e meu passeio seguiu assim: Lisandro cantando e eu recordando alguma cena já vivida ou imaginando cenas desejosas de viver.

*Em seu lastfm é possível baixar gratuitamente uma porção de músicas.

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2 Respostas to “Meu passeio sozinho com Lisandro Aristimuño.”

  1. Blancänieves 4 de maio de 2010 às 0:14 #

    No sos tan gris.. es que todo se volvió gris, cerraron la puerta del sendero.. perdieron la gracia del cartero…
    Lisandro tiene un arte muy particular que no se ve mucho en nuestro folclore, combina la música tradicional con sonidos actuales. Eso junto a sus letras de poesía sutil, forman una música muy sensible, dulce y de gran pregnancia auditiva, lo escuchas una vez… y se vuelve imborrable de la memoria, tengo cientos de sus frases dando vueltas en mi mente y mis oidos!

  2. sergeta 4 de maio de 2010 às 10:09 #

    é o total na foto?

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