As funções do poodle na família moderna.

15 jun

por SQ.

Não me vejam como um Descartes que odiava os animais, muito menos os cães que me são tão graciosos e companheiros. Milan Kundera, espero que desculpe minhas linhas. Falo do Poodle Toy e branco, aquele animalzinho obrigado a exercer funções humanas nas famílias infelizes da nossa modernidade.
leia na íntegra.

Schopenhauer tinha um poodle, e quando seu bichinho se comportava mal ele o chamava de humano. O Poodle é uma das raças de cães mais inteligentes. Daí a imaginar que ele poderia exercer funções humanas é um passo curto. Meus ouvidos já se depararam com algumas coisas surreais, inclusive de pessoas inteligentes.

Ele sabe quando eu vou viajar e fica triste alguns dias antes. Não pode dizer que a tosa dele ficou feia porque ele vai ficar deprimido. É sério, ele tem depressão e ansiedade. Estou lhe ensinando a falar.

A traição é comum entre os poodles. A maioria dos donos de poodle já foi mordida pelo animal em alguma circunstância. Mais um traço humano no homenzinho de quatro patas. Ele morde porque na verdade estava irritado com alguma coisa anterior. Estava guardando um rancor, uma mágoa, na verdade, é uma vingança.

A vítima se dirige ao pronto-socorro calmamente para levar os pontos na mão mordida e depois liga para parentes e amigos contando o ocorrido com uma alegria estranha. Acredita que ele me mordeu? Ele não é bobo não…

Há dias que o cão recebe o revide. Personal-trainners caninos, orgulhosamente pavlovianos, ensinam que o local a serem desferidos os golpes – em caso de chamada de atenção – é o focinho. No entanto, é sempre sua “bunda” que recebe as sapatadas quentes para aprender a lição. Depois são trancafiados em alcovas escuras por determinado tempo, sempre acompanhados de frases como: vai ficar aí agora pra você aprender! Qualquer semelhança com filhos pequenos sendo castigados é mera coincidência…

Quando não se tem mais o abraço do marido entediado pelas chatices do casamento, nem um beijo dos filhos desnaturados, a mãe sozinha no quarto vai tirar o bicho do castigo. Cheia de orgulho piedoso, ela o tira do escuro, o põe embaixo do edredom e lhe enche de abraços e beijos. O poodle cinéfilo vira a melhor opção pra ver o filminho à noite…

Nosso amigo cão-humano também é conselheiro e filósofo. Pelo menos uma vez por semana fica ouvindo as confissões de algum membro da família. Escuta impassível, como um monge budista, os anseios e angústias do locutor que pede conselhos. O poodle fala pouco, ou quase não fala. Basta uma mudança em sua feição para desferir sua sabedoria. E na maioria das vezes a consulta acaba com um: é… você tem razão!

Ele é gente. Mas não tem tamanho de gente. Esse ponto desfavorável o irrita, e talvez, seja causador de seu estresse. Quando chegam os amigos do filho na casa ele já sabe o que lhe espera. Brincam com o bicho como se ele fosse uma bola. Jogam a pelúcia viva pra cima, dramatizam como se ele fosse aquele bonequinho de teatro de cordinha. Ele, sacolejado, aguenta firme a brincadeira para não ser um mau anfitrião.

Não esqueçamos os passeios. O poodle vai fazer compras. Nada lhe irrita mais quando algum estabelecimento apresenta a placa: proibida a entrada de animais. Quando não é deixado no banco de couro do carro esperando, ele enfrenta a lei local adentrando o ambiente no colo da patroa que ignora o aviso.

E quando chega a noite, enfim o descanso merecido depois de um dia carregado de obrigações. Quem dera! O poodle tem insônia. Ó mau que perturba sempre as mentes incansáveis de pensar! Ele precisa de uma boa massagem, ar condicionado no máximo, barriga pra cima e corpo estirado. Enfim o sono sagrado.

Olha! Ele está tendo um pesadelo, tadinho… vem cá bebezinho, tudo bem, tudo bem… foi apenas um sonho ruim.

Dai-me forças senhor… roga nosso algodão-doce canino, que também é religioso, como já ia me esquecendo.

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3 Respostas to “As funções do poodle na família moderna.”

  1. espirrodabrisa 15 de junho de 2010 às 14:34 #

    Estranho. Pensei que ia entrar aqui e ler um texto sobre “as funções do poodle na família moderna”, mas o que li foi apenas um apanhado das atitudes imbecis daqueles que o cercam. Não é só o poodle que recebe o tratamento do qual você fala.

    Se a tentativa era ser engraçado ou, sei lá, fazer uma análise crítica (é o que o título sério sugere), não deu muito certo. Aliás, a crítica que posso fazer aqui é a mesma que se aplica aos seus textos anteriores quando vocÊ tenta criticar ou “ridicularizar” algo (os esforços trombam com a falta de justificativa).

    Pra falar do óbvio é preciso sair do lugar comum.

  2. Douglas 16 de junho de 2010 às 15:37 #

    Bob que o diga…

  3. conradoaths 17 de junho de 2010 às 20:30 #

    eu conheço esse poodle!
    olha, é estranho descontar a carência nos animais, mas, eles são bacanas, até ajudam a viver mais, melhor, viver bem…
    admiro a lealdade de alguns cães, os menos humanos, mais bobinhos e obedientes. e os gatos, também admiro, pela personalidade

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