Da graça de tudo.

29 jul

por SQ.

Algo que encanta. Aquilo que perfuma as narinas e conforta os ouvidos com melodias prazerosas. É imagem abstrata que pinta o quadro agradável da visão; é forma suavemente física que se rende ao toque; é sabor estimulantemente gustativo. A graça está nas coisas ou está em nós?
leia na íntegra.

A graça está em nós e nas coisas. Ou melhor, na maneira como vemos as coisas. E também na maneira como as coisas se apresentam para nós. Coisa aqui é no sentido de qualquer objeto fora do ser, o que inclui um outro ser, uma outra pessoa.

No amor, a graça está em todas as partes. A graça está na pessoa que eu amo e também está em mim. Está no que eu represento para a outra pessoa e vice-versa. E ainda está nas coisas que achamos graça em comum. Seria o amor uma espécie de graça compartilhada?

A graça se perde nas coisas e também se perde em nós. Quando perdemos a capacidade de enxergar graça em tal coisa, a graça teria se extinguido em nós ou na própria coisa em si? Nós somos finitos, ou seja, nós acabamos. A graça em nós se acaba com o nosso fim. Mas a graça em nós pode acabar antes que nós mesmos acabemos. Isto é, viver ainda, porém sem graça.

Viver na desgraça é perder a capacidade de fruir os sentidos em suas potencias prazerosas. É algo que pesa. Incomoda as narinas e agride os ouvidos com reverberações dissonantes; é imagem míope que obstrui o quadro da visão; é objeto denso que comprime nossa matéria; é gosto amargo que amarra a boca e deixa a feição taciturna.

A graça pode renascer em nós, mesmo que nós não possamos renascer. A graça em nós vai e vem. A graça nas coisas nunca se extinguirá enquanto houver alguém gracioso. Onde nasce a graça? Em um riso tão indireto quanto respirar. Por que ela existe? Perderia a graça se aceitássemos que ela não tem sentido algum em existir, e mesmo assim, existe?

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6 Respostas to “Da graça de tudo.”

  1. conrado 30 de julho de 2010 às 8:55 #

    a vida está cheia de coisas bonitas e momentos agradáveis, é terrível quando a gente perde a capacidade de enxergá-los.

  2. Natália 31 de julho de 2010 às 0:16 #

    “A sabedoria torna bons os homens. A simulação da sabedoria torna-os péssimos.” (Juan Luis Vives)

  3. espirrodabrisa 2 de agosto de 2010 às 18:21 #

    Acho que você venderia bastante se fosse um escritor de auto-ajuda.

  4. salame 10 de agosto de 2010 às 12:49 #

    quando eu te encontrei no banco da praça, eu achava graça de tudo

  5. aranha 17 de agosto de 2010 às 18:53 #

    Hum, este blog está me parecendo muito bom para eu construir a minha teia! por loucura ou por paixão

  6. @viniciusetesete 4 de setembro de 2010 às 20:53 #

    que post sem graça.

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