Dos diferentes tratos do amor pelos pais.

20 ago

por Gabriel Soares.

Encontrei hoje uma notícia que dizia: “Os pais são burros”. Logo me interessei, já fui abrindo o link e vi que se tratava de um impasse entre um escritor brasileiro e um grupo de pais modernos. Modernos a ponto de se reunir e pedir junto ao Ministério Público a exclusão de um livro do Loyola Brandão da rede pública de ensino, alegando que o livro continha vocabulário inadequado para os jovens.
leia na íntegra.

Em oposição, me lembro de um caso recente onde uma atriz de dezesseis anos atuava nua em uma determinada cena de uma peça de teatro. Nesse caso, o MP recebeu uma denúncia (de algum pai moderno) onde dizia haver pornografia infantil nessa cena. Os pais da atriz saíram em defesa da filha e disseram que o que ela faz é arte, e não pornografia. Esses pais concordariam com os pais do caso do livro do Loyola?

O que faz as pessoas diferentes, especialmente os pais? Claro que consideramos a natureza humana, a característica única de cada um, a relativa importância do meio, da educação e da cultura na formação do caráter na pessoa; tendo tudo isso em vista, ainda acredito ser o amor e a maneira como ela é entendida a principal diferença na formação dos pais.

Não conheço os pais que pediram a proibição do livro de Loyola, mas poderia dizer que eles têm muito mais chance de serem pais que não conversam sobre sexo com os filhos. Não conversam porque não sabem sobre sexo, e isso os envergonha; porque tiveram experiências ruins, ou tiveram os próprios filhos cedo demais e hoje se arrependem; ou ainda porque seguem alguma religião que, obviamente, condena o sexo antes do casamento. Nesses casos, os pais seriam ou ignorantes, ou mal-sucedidos e recalcados, ou fanáticos religiosos. Todos eles iriam oprimir os filhos, não porque eles gostariam de protegê-los, mas por razoes mesquinhas.

A mesquinharia não tem espaço se há o amor. Quando ama, a pessoa é naturalmente generosa. A questão é: como é possível amar sendo mãe ou pai, fechado há sei lá quantos anos em um casamento convencional? Difícil. Talvez seja por isso que as pessoas se tornam mais conservadoras quando viram pais. É justamente nessa fase que perdem a capacidade de fruir o amor romântico, e assim perdem tudo aquilo que dá brilho. Esvai-se o fervor sorridente e o que sobra é taciturnidade. Não é a toa que as pesquisas comprovem que os filhos de pais separados têm mais abertura para diálogo com os pais; pois nesses a faculdade de amar renasceu.

O namorico da filha adolescente incomoda o pai conservador que não sente mais tesao pela esposa gorda. Ele reprime a filha e a proíbe de desfrutar os anos potentes da juventude exclusivamente por ser um morto-vivo no que diz respeito ao amor. Não há absolutamente um motivo razoável para justificar a tentativa de proibir as fruições encontradas nas relações amorosas dos filhos. Os argumentos são frágeis e não escapam da demonstração de pura inveja. É isso o que eu penso. Proibir o amor e o sexo é reflexo de pais impotentes e mães menopausadas intelectualmente.

Seria muito mais fácil nascer em uma família como a da atriz que faz cenas de nudez no teatro aos dezesseis anos. Os filhos que aí nascem tem de sorrir mais uma vez ao acaso. Viver em uma família onde o amor e os sentimentos individuais são respeitados é encontrar na família aquilo que mais importa: segurança e amizade. Esses filhos se sentem bem na sala de estar de casa; não precisam se isolar em seus quartos.

A maioria que ainda nasce nas famílias cristão-tédio-recalcadas, onde o amor é tratado como uma infantilidade a ser combatida, tem de fazer como pediu Herman Hesse: quebrar a casca do ovo para poder existir. Chega um momento na vida em que os filhos não aprendem mais com os pais; eis o momento onde os pais precisam reaprender a viver, agora com os filhos ditando a lição.

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Uma resposta to “Dos diferentes tratos do amor pelos pais.”

  1. @viniciusetesete 4 de setembro de 2010 às 20:57 #

    “O namorico da filha adolescente incomoda o pai conservador que não sente mais tesao pela esposa gorda.”

    hahahaha achei de muito bom tom… =]

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