Cidades Impossíveis.

29 nov

por Pedro Pulzatto Peruzzo.

*Apresento a vocês um texto do amigo de colégio Pedro Peruzo. Filho daquele mesmo Peruzo conhecido em Birigui pelas frutas e sucos. Ele concedeu a publicação da sua crônica especialmente pro blog. O texto faz parte do livro “Cidades Impossíveis” que reúne vários autores. O livro pode ser comprado diretamente no site da Portal Editora. Espero que gostem.
leia na íntegra.

Eu acordava com minha mãe e meu pai conversando na cozinha, o cheiro do café forte que ela fazia, o barulho dos passarinhos que ele criava embaixo e em cima da jabuticabeira que ficava no meio do lado direito do meu quintal. Acordava e ia apanhar uma manga pro recreio. Isso me colocava em contato com o pé de carambola, com o pé de jambo, com os três limoeiros, a goiabeira, o pé de acerola, o pé de romã, o pé no chão gelado, trincado… muito pouco concreto, e o que tinha de concreto era repleto de musgos, as manhãs eram úmidas, as folhas amanheciam cristalizadas. Eu acordava com o dia, com as vozes, com os cantos dos pássaros, tomava café e ia andando para a escola; às vezes pulando as poças da chuva, às vezes correndo atrás dos lagartos, bagunçando com minha irmã. Os sacos de lixo, naquela época, eram furados apenas pelos cachorros… eram os vira-latas!

Cresci por lá, por lá estudei, por lá amei, por lá chorei, por lá sorri… pelas praças de lá dancei, pelas ruas escuras de lá aprendi a fumar, pelos bares de lá aprendi a tomar cerveja com limão, pelas feiras de lá peram¬bulei, pastel de palmito, caldo-de-cana com abacaxi. Na quitanda do velho provei abiu, umbu, açaí, cupuaçu… entreguei flores pra mãe… e por lá nós tínhamos duas: a mãe-do-céu e a mãe-da-terra… essa manda¬va flor praquela e eu levava… eu gostava das cores da gérbera!

Mas, um dia, meu pai falou que por lá não dava mais, que eu preci¬sava crescer, virar gente importante… fiscal, advogado, médico, enge¬nheiro… menos político! Político era coisa feia! Eu precisava sair de lá, ir para uma cidade ali perto, maior, com escola boa para me preparar para a universidade, que ficava na capital!

Tive que começar a acordar mais cedo, não dava mais para levar manga, melancia e pastel frito da minha mãe para a hora do recreio. A gente nem tinha mais recreio, era “intervalo”… ninguém levava lanche de casa… era coisa de pobre! Meu pai se apertava, minha mãe segurava, tanto um como outro rezava, o dinheiro não dava. O orvalho do quintal ficou para o final de semana, pois em razão da escola para virar gente grande, que ficava em outra cidade, o ônibus passava antes de o dia despontar… e quem sabe de orvalho, sabe bem que o brilho das folhas é lágrima dos olhos da vida que se ofusca em carinho quando o sol descansado resolve raiar… Difícil ficar sem.

Passados três anos, colégio completo, hora de escolher o doutor que eu iria ser. Sonhador de nascença, descontente com muito nada e com um muito que não vira nada, escolhi a labuta com base nas luzes que envolviam a cidade de agora… tinha de ser assim. Real¬mente, por lá não dava mais! Brilho por brilho, necessário que é, se não teria mais o do orvalho, escolhi então o dos prédios. Tudo tão lindo, tudo tão grande, corredores de luzes, avenidas sem fim… um monte de concreto, um monte de janelas, um monte de luzes, cheias de brilho… brilho…. brilho… Os carros eram tantos! Aquelas imagens dos filmes de Atlanta me faziam sonhar mais, me faziam querer aque¬las avenidas vermelhas, aquelas pontes gigantescas, aquele concreto todo, aquela cinzura, aquela coisa que não dava para explicar, mas que encantava demais!

Chegada a hora de partir. Malas, violão, dinheiro pro táxi, o en¬dereço do apartamento alugado, o telefone de todo mundo conhecido que morava na metrópole… Tudo certo, carona da tia… Liga quando chegar! Vai com Deus!

Saímos por volta do meio dia. Várias horas de viagem… mato, mato, mato, mato… um posto de parada… mato; faróis; faróis, faróis, placas (São Paulo – 150 Km). Faróis. Faróis… placas… luzes de casas amontoadas (sem quintal), antenas parabólicas, milhares delas, uma torre de celular, outra, um outdoor de outro posto de parada, casas, an¬tenas, torres, um pequeno amontoado de árvores… carros muito pró¬ximos uns dos outros… os prédios! As luzes!! Os prédios! As luzes!! Um tapete de luzes vermelhas no congestionamento. Luzes, prédios, cinzuras… a noite… sem lua.

No caminho para o apartamento da minha tia passamos por várias pontes lindas, altas, de onde dava para ver toda a cidade, que não tinha fim! Shopping center por aqui era como bar por lá, um em cada esquina… e com muito mais brilho! As roupas modernas, cabelos de cores, cigarros com cheiro, bebidas vermelhas, cinco pratos e treze talheres para uma só refeição!! O que é big mac? O que é casquinha?

“Bo” o quê? Boate? Que fantástico, aqui tudo brilhava, aqui tudo era novo, aqui tinha de tudo, aqui todo mundo só podia ser mais feliz! Cheguei de carro.

No primeiro dia, antes de me despedir da cidade, ao entrar na gara¬gem do apartamento da minha tia, vi o último carro dobrar a esquina… uma mulher acenava… o carro parou… ela entrou… mulher bonita, com os olhos cheios de rimel, um batom vermelho forte… da cor da vida…

No dia seguinte, domingo, dormi no meu apartamento. Minha tia se despediu… a porta do elevador se fechou… fechei a porta do meu cercado… Além da sensação estranha de estar sozinho, o ensimesma¬mento forçado dessa metrópole me colocou diante de muitas e muitas constatações. Em busca de um sonho, de altura, de aventura, troquei 100m² de quintal por 20m² de cercado sem nenhuma sacada para brincar de voar. Lembrei que a partir de então a metrópole seria um tapete sem fim, onde a pé eu passaria infinitos e longos segundos da minha vida. Não tive nem vontade de ligar o som. Fui para a janela…

A vida começava. Pedi uma pizza e arrisquei uma lata de cerveja. Liguei na novela… ao menos sentia que tinha alguma coisa tentando me convencer… ainda que coisa, era um interlocutor… me plantava de¬sejos, me fazia sorrir, me vendia modelos, sonhos, clichês… o interfo¬ne! A pizza! O porteiro, o entregador (mais interlocutores). Fui comer minha pizza.

Antes de deitar, fui à janela novamente, senti o ar, carregado, su¬avemente frio, repleto de gritos, gargalhadas, que já deviam muito ter voado, pois estavam tão apagados… mas as luzes eram espessas, essas sim! Ainda bem, pois o brilho sempre me encantava. Olhei a praça, os labirintos de prédios, o céu sem estrelas, a fila de carros, lembrei dos amigos e, na garganta, senti um pigarro de medo. De carro tudo era tão luz, tudo era tão desejo, tudo era tão sincero, mas olhando para a cidade do ponto mais cru da solidão de mim, praquelas esquinas, praquelas sar¬jetas que eu via da minha janela e que transpareciam uma clara aversão a qualquer amizade, me lembrei que segunda-feira a vida seria a pé.

A noite caiu… de noite não sonhei, talvez pelo fato de não ter dor¬mido um sono sincero.
O dia raiou, o despertador foi quem me acordou como um grande amigo e uma nuvem de solidão dominou as primeiras horas do meu dia. Não tinha mais meu pai, os passarinhos, minha mãe, o café forte, o orvalho, o chão gelado, a alegria de acordar… Incomo¬dava-me o barulho dos ônibus, dos carros, das buzinas das motos, da porta frenética do elevador, do liquidificador de um dos meus inúmeros vizinhos… tentei embalar novo sono, mas um helicóptero estava pousando a uns trinta metros da minha janela. Levantei e fui fazer meu café fraco.

Liguei a televisão e ouvi notícia do trânsito. Nessa cidade tudo parece girar em torno do trânsito, da rua. Por um instante me esqueci de que em questão de segundos estaria estreando o meu mapa de pedestre e conhecendo uma cidade que eu nunca mais iria esquecer: a cidade que não se vê dos carros.

Tudo certo, caderno, caneta, dinheiro do lanche, dinheiro do ladrão, passe do metrô… pés no corredor… bom dia… pés na calçada!

As ruas me faziam sentir esquecido, impotente. Assistia a tudo e nada podia fazer, senão caminhar sempre até o meu destino. O que eu assistia me era empurrado garganta abaixo por cada esquina que eu dobrava, por cada cena que eu presenciava de unidade humana conflagrada na solidão imposta por essa seqüência fúnebre de caixas luminosas de concreto. Uma arquitetura imponente, como um mons¬tro, que me obrigava a olhar pro chão, com a cabeça tão recolhida, que por anos andei seguindo a seqüência de trombadas que o bico dos meus sapatos dava nas pontas de cigarros fumados por uns e re¬fumados por outros… A cada ponte me deparava com um ser humano argumentando com o lixo!! Momento de esquecer os meus sapatos…
Incrível!! Eu não sabia que as pessoas falavam com o lixo… que ten¬tavam se fazer entender para o resto de alimento vendido pelos olhos da cara no restaurante de uma avenida principal. O mendigo me assus¬tava, me fazia querer não tirar mais os olhos do seu diálogo que, estra¬nhamente, continha ares de familiaridade.

O lixo era interlocutor… e sempre será, sob pena de vermos correr chorume pelas sarjetas cinzentas da nossa metrópole brilhante. O lixo gera renda, carrega informações por aqui… Eu passava e o mendigo continuava a con¬versa, encontrava um tufo de macarrão, cheirava, sentia, reconhecia, provava, reclamava, trocava pelas batatas, rolava no chão, não me percebia passando e tomava o seu café… forte!

Olhando os mendigos, as crianças de rua acordando, não me vendo passar, eu percebia que tudo à nossa volta, em verdade, cir¬cundava apenas em torno de mim, pois para a cidade que passava de carro ou mesmo para a cidade que olhava pelas janelas dos altos pré¬dios com uma xícara de leite quente na mão direita e o jornal recém-recolhido pelo labrador de apartamento na mão esquerda, aquele mendigo e aquelas crianças nada mais eram do que o lixo em si, lixo que vive do lixo, lixo lixo, lixo nada, invisível, inexistente atrás da lixeira estrategicamente aposta na balaustra da ponte para esconder a totalidade do humano da polis. O humano de verdade, por aqui, deve permanecer vivendo apenas na arte do concreto morto e frio do apartamento (brilhante, contudo) que, por trás de si, acoberta toda a lixeira moral que assisto diariamente da minha janela e que, por vergonha ou apego, não é concedida aos mendigos como os restos interlocutores de comida estragada.

Na caminhada à universidade, não foi preciso andar muito mais para se chegar à praça central, o marco zero do desenvolvimento rodo¬viário, para se ouvir os gritos de uma esquizofrênica abandonada aos escárnios dos rizinhos e comentários insanos dos perfeitos e saudáveis cidadãos que de tudo um pouco entendem, principalmente da nobreza do próprio umbigo! E por todas as vezes que passei por essa praça, de graça a mesma desgraça, a esquizofrênica e a sua mordaça, com as calças rasgadas, evidentes vestígios de estupro, e a cidade em pompa reluzindo prazeres e nada permitindo que se fizesse de mais.

Tudo parecia novo, tudo parecia vivo de carro, mas a morte cir¬cundava a liberdade e a levava em cada manhã que se pretendia sentir caminhando em companhia das sarjetas sinceras.

Caminhando mais, o cheiro pesado de fezes atordoava e fazia surgir o peso do progresso que, uma vez consubstanciado no ato democrático da senhora que defecava no canteiro do prédio do Tribunal de Justiça em plena manhã de sol, inflamava a ordem de abandonos e impotências que a flâmula quente não conseguira encobrir… progresso, progresso… andar a pé evidenciava a ordem dos fatores! Outro mendigo deitado sobre o saco preto de lixo, furado, buscando, concentrado, encontrando, retirado, degustando e gritando! A digestão era lenta… a satisfação não existia… talvez faltasse fibra! Aqui a gérbera, pela criança empunhada, tinha como destino o carro parado no sinal. Aqui não tinha mãe-do-céu… não se pedia paz e bem e se esperava um sinal; aqui se pedia um trocado e se esperava ser notado.

O dinheiro permanecia curto, mas depois de virar advogado a pompa começou a me assediar nos corredores fétidos dos fóruns. Aquele terno, por mais impregnado de suor que estivesse por dentro, me garantia, ao lado de muito desrespeito com as partes sangrando nos balcões em razão dos tiros de indiferença desferidos pela Justi¬ça deste país, vários “bons dias”, “boas tardes” e “boas noites doutor”. Aquilo tudo era tortura, incoerência pura! Mas acabou sendo assimila¬do, jogado para algum lugar dentro de mim e nunca mais encontrado… Adoeci, tive uma sequência de espasmos… decidi procurar um psiquia¬tra, afinal, eu precisava aprender a lidar com a metrópole, reencontrar meus desencantos e meus encantos! Caso contrário, o projeto de virar alguém na vida estaria frustrado. E isso era inadmissível!

Após a consulta, alguns calmantes, algumas indicações de progra¬mas culturais e sessões de terapia intensiva…

Alguns anos se passaram, as caminhadas a pé eram diárias, mas o brilho que me encatara na infância começou a me enfeitiçar com muito mais intensidade… eu me sentia confuso. Algum dinheiro começou a sobrar para comprar algumas roupas significativas de dignidade, para freqüentar alguns lugares significativos de dignida¬de, como as tais boates, os teatros, os bares, as livrarias cheirosas, os saraus na Avenida Paulista, os museus. Eu ainda tinha discerni¬mento para buscar alguma coisa, alguma arte que me mantivesse vivo, um pouco menos embriagado pelos efeitos dos calmantes fracos (não eram faixa preta; segundo o psiquiatra, eram ministrados até em crianças…), ciente de que tudo era montado, de que tudo era de propósito. No entanto o encanto era algo inóspito, me dava medo, como aquele medo de se entregar sem medo a uma noite que com toda certeza será inesquecível… aquele receio misturado com vontade diante da mulher nua, aquele medo de ser enclausurado no útero que me gestou! De tão inóspito, de tão encantador, de tão sincero, de tão certo, de tanto calmante, de tanta conversa com o meu divã, o encan¬to começou a transfigurar-se em refúgio e todas as minhas angústias passaram a ser reencontradas e encaradas.

Para a tristeza de ver a relação dialógica entre lixo e mendigo me era garantido o perfume das vitrines; para o enjôo ao ver a relação de reconhecimento entre a senhora que defecava e o Poder Judiciário, me era garantido o deleite das cervejas importadas; para a incompreensão do tratamento dado às partes nos processos judiciais e o que era dado a mim, de terno, me era garantido o acesso a concertos maravilhosos de música erudita… A capital começou a valer a pena… As minhas angús¬tias começaram a ser compensadas, reduzidas e os calmantes começa-ram a fazer parte do meu café da manhã… Uma noite comum já não me fazia tão mal, desde que estivesse só eu e minhas coisas, imersos nos meus planos… as luzes da cidade começaram a me fazer bem também, como eu esperava quando saí de lá, da minha velha cidade, e os prédios passaram a ser refúgio para os meus vagos desejos. As sarjetas sin¬ceras passaram de companheiras a morada e me convidavam sempre para uma entrega sem roupa a um encanto concreto… tudo era concre¬to, inclusive o encanto… Panos vermelhos, em alto relevo, acenavam pro amor e eu sentia vontade de um beijo. Eu não tinha ninguém (por aqui ninguém tem ninguém), nem hora pra voltar pra casa… mas tinha desejo. Eu já tinha muito desejo.

As coisas foram dando certo, a metrópole deixou de ser necessida¬de… passou a ser escolha, opção… e eu acreditava plenamente nisso! Comecei a sentir necessidade de me aproximar da elite cultural, aquela que freqüenta bares caros, universidades excepcionais, que tem acesso a livros estrangeiros raríssimos, que têm carros importados, altos cargos públicos… Comprei um carro! Era necessário nessa cidade em que tudo é longe! Eu já não suportava mais andar a pé… Eu já nem percebia mais os mendigos… Em verdade, após encontrar nos encantos da metrópole os afagos para o meu ego angustiado, aqueles seres em baixo das pontes passaram a me atormentar um pouco, afinal, eu nem tinha culpa! Os idosos do metrô começaram a me incomodar também, com aquele monte de sacolas inúteis. Aqueles trabalhadores cheirando a suor me faziam querer morrer! A cidade era tão linda e eu não via a hora de sair do metrô e respirar o ar puro da civilização, caminhar pelo shopping, comprar coisas bonitas, modernas, chegar em casa, abrir o notebook e acessar a programação cultural do final de semana. Com carro, agora, tudo seria mais perfeito!

Abandonei os calmantes e a terapia… afinal, eu era feliz!

Os finais de semana passaram a ser dias de deleite! Muita cultu¬ra, muita luz, jantar, vinho, queijos, chocolate e, para finalizar a noite, excelentes apresentações de teatro. Peças maravilhosas, produtores impecáveis. Os artistas eram bárbaros! Como faziam para retratar tão bem a exclusão social urbana?

Fantástico, gente como a gente, culta, bonita, cheirosa, imitando mendigo… só tendo o dom mesmo! Aquele artista mais magro até parecia um mendigo de verdade… e o outro, de cabelos brancos, imitando os velhos no metrô? Há há há Incrível! Idêntico! A peça “Desgraças das ruas de São Paulo” foi fantástica! Um banho de civilidade, de sensibilidade! A gente precisa aprender a amar o próximo! Enfim, vamos jantar? Talvez um caviar, que tal? Depois de uma peça tão bárbara sobre a vida nas ruas de São Paulo, um caviar cairia muito bem… depois uma volta pela cidade… São Paulo é luz, é beleza, cultura, cosmopolitismo, você não acha? Você vai ver!! Vou te mostrar, de dentro do meu carro, como as ruas são lindas!

Ouvi um grito: Idiota! Não suportou, se rendeu às luzes! Se prepa¬ra, grande retardado, o seu futuro empunha um Lexotan!

Limpei os perdigotos do meu terno, da minha pasta, e fui jantar com a clara certeza de que o autor daquele grito teria sido o demônio. Só poderia ser ele, para querer tão mal a mim! Voltar a andar a pé, assistir a tudo o que um dia eu já assisti, reencontrar a cidade que ou¬trora anulou minhas expectativas de brilho? Jamais!
Aquela cidade era impossível! Lá, na minha infância, era bom. Mas hoje, agora, do carro, com brilho, nem era tão ruim assim. Que Lexotan, que nada!

Os anos se passaram e aqueles gritos começaram a me atormentar todos os dias… o demônio começou a falar comigo sobre os meus proje¬tos e um dia chegou a ameaçar o meu cachorro! A noite o DEMÔÔÔNIO começou a me visitar… e Deus puxava meu pé! Eu não queria! Eu não quero!!! Eu não quero!!! Eu quero viver na luz! Eu sou a luz, o cami¬nho, a verdade a vida!!!! Eu nasci aqui!! Me larga! Me larga! Lexotan! Não! Não!

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4 Respostas to “Cidades Impossíveis.”

  1. Conrado 30 de novembro de 2010 às 20:31 #

    caralho!
    que texto fodástico! “é a cidade a ver a cidade”

  2. Pedro Peruzzo 4 de dezembro de 2010 às 9:24 #

    É isso aí… a gente “virando cidade”… concreto…

  3. @viniciusetesete 4 de dezembro de 2010 às 12:13 #

    …A noite caiu… de noite não sonhei, talvez pelo fato de não ter dormido um sono sincero…

    Há saída para esse engodo que endossamos todos os dias? que vida é essa que ninguém mais crítica, revê ou desconstrói.
    penso se a internet não tem uma parcela de culpa na comodidade obcena da juventude atual.

    …Na caminhada à universidade, não foi preciso andar muito mais para se chegar à praça central, o marco zero do desenvolvimento rodoviário, para se ouvir os gritos de uma esquizofrênica abandonada aos escárnios dos rizinhos e comentários insanos dos perfeitos e saudáveis cidadãos que de tudo um pouco entendem…

    Ando repensando o entender, que por si, só nos levou a esse tédio morno em que nos estagnamos.

  4. Pedro Peruzzo 8 de dezembro de 2010 às 13:30 #

    é… eu nem sei se entender alguma coisa seria possível, se desde que somos dados à luz um óculos negro e uma amarra de ferro ata os nossos sentidos mais fundamentais… me parece que engolir tem sido, mesmo, o destino de todos nós… ou de todos nós que somos fracos o bastante!

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