O Livro do Vômito.

8 dez

por SQ (Conrado).

Introdução

O primeiro conselho que poderia ser dado ao nobre leitor é para não ler esse texto após as refeições, a não ser que a admiração pelo vomito seja tanta a ponto de ler o livro especificamente para provocar primoroso ato. A obra também não é indicada às pessoas de estômago sensível.
O intuito de escrever este texto é o de compartilhar experiências e histórias, em parte trágicas, em parte cômicas, com a arte de botar a comida para fora antes dela ser completamente processada. Que as páginas a seguir sirvam para distração. São experiências narradas em pequenos textos que podem ser lidos ao acaso, na sala de espera do dentista ou no ponto de ônibus.
Desde os tempos da Bíblia já se dizia que o morno é vomitório.
leia na íntegra.

I – O primeiro vomito

Antes de nascermos o vomito já integra a nossa existência. È sabido que mulheres grávidas podem sentir enjôos.
Era um dia de meio da semana, eu estava indo para a faculdade, logo após o jantar eu havia tomado um ônibus. Quando olhei para o chão pude ver que estava molhado, com pequenos pedacinhos laranjas.
Uma olhada mais atenta me revelou a autora do quadro, uma gestante segurava-se nas barras de apoio, próxima à porta de saída. Aos pobres mortais só restou seguir a viagem com o leve cheiro azedo. Segurei-me para não completar a festa, tentei esquecer o acontecido e sentei-me no fundo, longe dos líquidos.

II- O segundo vomito

Em nossa natureza de bebês o vomito vem embalado sob o eufemismo de regurgitação.
É muito comum a cena, aquele leitinho consistente que parece iogurte saindo da boca do bebê. Tome muito cuidado, existe a posição correta, caso contrario o nenê pode morrer afogado no próprio vomito. Por mais que você goste de Jimi Hendrix, não permita que seu filho tenha o mesmo fim trágico, ele tem muitos anos pela frente.

III- Miojo

Memória de infância um pouco apagada, só me lembro de ter deitado na cama, não estava me sentindo muito bem. Havia jantado miojo. Será que não mastiguei direito?
Só me lembro daquele amontoado de fios amarelos com alguns pontinhos escuros. O macarrão parecia inteiro, como se tivesse saído da panela. Mas era da minha garganta. Levantei-me, mamãe limpou a cama, trocou o lençol.

IIII- Feijoada

Naquele dia eu pude presenciar o famoso efeito dominó. Era a fatídica feijoada do almoço em família no domingo. Fomos para a casa da avó de meus primos. Devia haver algo de estranho naquele feijão preto. Ele tinha um sabor mais forte que o outro, o qual eu estava habituado a comer. Sempre dizem que na feijoada vai orelha de porco, focinho, rabo… só de pensar nesses ingredientes mágicos, quem é mais fraco poderia ter enjôos.

Entretanto não foi por isso, o peso daquele almoço seguiu empurrando o estomago até que meus irmãos já estavam vomitando, não sei bem a ordem, um vomitou no quarto, a outra deve ter sido no banheiro. E eu quieto, na minha, até que veio a vontade insustentável e insuportável, não deu tempo de chegar no banheiro, foi no meio do caminho.

Dessa vez foi a primeira experiência com as comidas entaladas no nariz, pequenos grãos de arroz.
No dia seguinte eu ficava procurando pelos respingos que mancharam a parede. Passei muitos anos sem comer, foi meio traumatizante.

V- Primeiro porre

Era uma festinha de 15 anos de uma colega da escola. Marinheiro de primeira viagem, juvena, comecei a tomar tudo que o garçom oferecia. Tomei uísque, depois vinho. Quando fui ver, não via nada direito, parecia que tava tudo pela metade. Chegar no banheiro para fazer xixi foi um mistério, nem sei como consegui chegar lá. Depois para passar pelo salão foi um grande sacrifício, minhas pernas trançando, apoiei o braço em um senhor de cabelos grisalhos. Sentei à mesa e, com sono abaixei a cabeça sobre as mãos e dormi um pouco, quando levantei, foi o vomito. Logo depois os seguranças me deixaram numa cadeira, longe da vista. Depois dessa passei quase um ano sem beber.

VI- Era uma noite qualquer de quinta feira. Começamos a tomar uma Vodka barata meio azeda. Quando acabou, fomos ao supermercado, compramos outra garrafa que era de marca melhor, descia como água.
Tentei salvar a pele dos meus amigos e acabei pagando o preço. Cheguei tão louco na balada que teve uma hora em que eu estava imitando o Supla no meio da noite, detalhe, era uma imitação para para o próprio Supla, eu já tava completamente bêbado, ainda bem que ele é muito gente fina e só deu risada.
Cheguei em casa e fiquei me confessando na igreja dos bêbados como diz a canção do Cazuza. Fiquei sentado, de cara com a minha amiga, a Pri, privada. Enquanto isso meus amigos comiam o meu ovo de páscoa, minha pequena dose de glicose.

VII – Show do Lobão, estava animado, comecei a beber uísque. Chegando no show parti pra cerveja, a garrafa de um litro era a opção mais em conta. Curti o show muito bem, lembro das músicas. Nem tinha bebido mais depois que a música começou. E assim que acabou encostei no palco. Encarei uma longneck que devia ser de algum músico. Veio uma bela garota, nem perguntou meu nome e me beijou.
Ficamos juntos, e de repente a sensação de fraqueza, não queria pagar aquele mico de vomitar em cima dela. Comecei a torcer para que ela fosse embora e logo que ela virou as costas eu virei a cabeça pro outro lado e comecei a vomitar.
Chegando em casa ainda vomitei mais um pouco para dormir tranqüilo. Para seguir a tradição, dos dejetos saindo pela cavidade nasal, nada melhor do que um belo pedaço de lingüiça calabresa que entalou no nariz. Tampei a boca, soprei o ar e lá estava o pedaço saltando para a pia.

Quase – no dia seguinte eu tiha marcado um compromisso de trabalho, tinha que tirar umas fotos do novo escritório do cliente, tava meio de ressaca, nem dormi direito, segurei firme para não vomitar no meio da obra. Ufa, consegui, depois tomei um banho para curar a ressaca, fiquei melhor.

Araçatuba – Tempos de faculdade, balada, bebidas, tomava algumas no posto. Aquele dia foi o que era de costume, uma garrafa de vinho, o problema foi mandar uma cerveja logo depois. Quando vi, estava fazendo uma bela pintura colorindo de vinho tinto a porcelana branca do banheiro da boate. Depois disso fiquei procurando meus amigos para saber se alguém tinha uma bala para tirar o gosto ruim da boca.

Escola –
Essa foi mais uma das importantes lições que eu aprendi, e no melhor lugar que se pode aprender, na escola. Quando eu estava na segunda série e estudava de manhã, um pouco antes do recreio a gente podia tomar um leite e comer pão com manteiga. Quando era leite quente, cada um tomava a sua canequinha e olhe lá, eu mesmo evitava.

Mas tinha dias que era leite gelado, daí fizemos um campeonato para ver quem tomava mais, passei pela fila nove vezes. Se eu não ganhei, tenho certeza que fiquei entre os primeiros.
Depois ainda ganhei a lembrança dos meus amigos, na hora de descer as escadas para o recreio veio a vontade insustentável. Quem mandou tomar tantas canecas de leite, agora eu estava devolvendo tudo pela escada. Espirrando leite achocolatado na perna da galera.

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2 Respostas to “O Livro do Vômito.”

  1. strikingquadra 9 de dezembro de 2010 às 11:55 #

    historia do show do lobao é a melhor… haeuihaeheahuiaehueahuaehueaihea

  2. Hypezinho do Barulho IS BACK! 9 de dezembro de 2010 às 21:40 #

    Texto desagradabilíssimo! O que leva uma pessoa a escrever isso? Não esqueça de adicionar mais esse capitulo no seu livro do vômito: A vomitada na Revista SQ!

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