Da Loucura como resposta…

18 jan

por Cauê M. Cardoso

Há muito recebi um convite para colaborar com a Revista S.Q. e hoje pretendo seguir adiante com esta colaboração, devido ao fato de que por trás das ações existem pelo menos um pensamento. E eu tenha uma grande estima pelo os seus pensamentos.

Pegue um cigarro – porque você precisará apenas de uma mão para os demais passos; Sirva um copo da sua bebida favorita – não a beba; Coloque qualquer variável do indie em um volume mais alto do que sua voz, porém jamais mais alto do que o seu pensamento; Sente-e; Abra a janela; Olhe para fora; Pegue o seu copo; Trague o seu cigarro; Beba.

Seja em alguns balcões em Berlin, pub’s desconhecidos na Irlanda ou em algumas quadras espalhadas pela América do Sul… Esse ritual é praticado por nós, Skins, todos os dias. Não devido ao vício pelo vício, mas devido ao vício pelo pensamento. Em o “Elogio da Loucura” um filósofo de 1500 deu-se por louco para criticar o sistema em que estava inserido e com base na pureza e perspicácia do pensamento, através desta vestimenta, iniciou uma filosofia de uma Era que – antes perdida – possuia apenas a crítica como propulsora de um Renascimento.

E da mesma forma deu-se a criação da verdadeira “Alternatividade”! Das cinzas dos anos 50 aos anos 80, nasce nos anos 90 apenas um grupo: Os estereótipos. Porém, dentro de um desses – os alternativos – surge como resposta ao movimento dos anos 90… Os Skins.

Filósofos do Século XXI que podem ser encontrados com meio floco de neve embaixo de suas línguas atingindo o Nirvana em qualquer club interagindo com os demais membros da sociedade; Nas livrarias com uma marcador – desde que elas vendam algum tipo de bebida com cafeína; Em festas indies que conseguem alternar músicas, cigarros, debates e sexo; Nas ruas com mais 2 ou 3… Mas jamais com 5 ou 10, pelo simples fato de que estava tedioso em casa e já era noite; Em casa, porque criaram o Torrent e o cinema não exibe nada mais útil hoje em dia…

Pensamentos, Música, Moda, Cigarros, Álcool, Filosofia, Política, Crises Existencialistas, Sociologia, Heterossexualidade, Bissexualidade, Homossexualidade, Cores, Etnias, Estilos, Cabelos, Sarcasmo, Ironia, Deboche… Incertezas, Angústias, Alívios…

Mas nós não nos perdemos. Neste amor pelos clássicos e pelo moderno, esta ponte só pode ser criada por uma razão: O “estar perdido” era o estado inicial de todas as coisas quando começamos. O que somos hoje é, como é, porque nós nos encontramos. Não a felicidade plena, a verdade sobre todas as coisas ou a solução para todos os problemas. Mas nós nos encontramos dentro de nós perante a caóticidade do Atual. Não nos afundamos na neve porque este vício destrói o controle do pensamento, enquanto os demais vícios afloram o que temos de melhor em nós… A nossa coerência.

Qualquer outra variável pode estar perto de nós, porque antes de tudo somos observadores. Mas ela é apenas mais uma variável dos estereótipos. Pois não somos loucos pela loucura, somos loucos porque utilizamos da loucura.

Não há outro filósofo que defina melhor a resposta do que seja os Skins para a sociedade do que Erasmo de Rotterdam. Pois prefiro ser visto como louco e incompreendido pelos demais do que vender a autenticidade do meu pensamento e da minha existência para as limitações da “normalidade”. Afinal, se dou-me por louco… É porque sou visto como o oposto da normalidade, mas se a normalidade vendeu-se para a alienação das limitações midiáticas. Prefiro ser um louco e manter a autenticidade do meu pensamento ao ser “normal” e ter perdido a habilidade de pensar por mim mesmo. Ou o controla da escolha das experiências que quero e posso viver.

E foi assim que nos livramos dos estereótipos, dos rótulos e retomamos o controle do nosso crescimento. Não há tempo de vida suficiente para as limitações que nos foram ensinadas, pois o anterior não era superior… E assim criou-se a ponte entre o pós-moderno e o clássico. Renegamos, por isso, o simples Moderno.

“Dizei-me por obséquio: um homem que odeia a si mesmo poderá, acaso, amar alguém? Um homem que discorda de si mesmo poderá, acaso, concordar com outro? Será capaz de inspirar alegria aos outros quem tem em si mesmo a aflição e o tédio? Só um louco, mais louco ainda do que a própria Loucura, admitireis que possa sustentar a afirmativa de tal opinião.” (ROTTERDAM, de Erasmo; 1509)

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