Suicide movies.

25 abr

por Gabriel Soares.

Frio de cinco graus, neblina, leite quente e muito agasalho. Fotografia alternativa e Bob Dylan na trilha sonora. Tinha tudo para ser mais um filme rodado em alguma cidadezinha no inverno francês, não fosse um detalhe: ele é brasileiro.

O cinema brasileiro já conseguiu superar os estigmas de violência, favela ou sertão. “Os Famosos e os Duendes da Morte” do estreante Esmir Filho narra não só angústias, mas flashes de interiores existencialistas de personagens convencionalmente contemporâneos, tristemente narcisistas atrás de seus computadores conectados em um mundo cada vez mais reduzido ao próprio quarto.

Não que eu seja um adorador das técnicas suicidas, mas me agradou bastante o suicídio como personagem oculto da trama e a ponte da pequena cidade onde se passa o filme como símbolo. Ponte que também é personagem no documentário “The Bridge”, onde imagens reais mostram pessoas saltando da Golden Gate em São Franscisco.

Voltando ao filme brasileiro, é preciso dizer que não se deve assisti-lo esperando encontrar todas as respostas para os enigmas da trama até certo ponto surrealista – nada comparado a “Cidade dos Sonhos” do David Lynch -, embora interpretações antagônicas sejam bem plausíveis para algumas lacunas deixadas propositalmente pelo roteiro.

Outro dia meu amigo Conrado apareceu com um filme p&b francês dos anos 60 pra gente assistir. Mais uma vez o suicídio rondando as ações dos personagens, nesse caso um personagem em especial: o protagonista. Ele vive em uma espécie de clínica para reprimidos e decide visitar seus amigos antes de tomar a decisão final de dar cabo a sua própria vida. Cada um dos amigos tenta fazê-lo mudar de ideia, entretanto como o próprio personagem diz ao doutor quando perguntado se as suas angústias haviam melhorado: “não existem angústias; o que há é apenas uma angústia, e essa jamais se dissipará”.

Assistam contentes! Para que a sombra do suicídio não desperte os pensamentos mais escuro-existenciais…

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2 Respostas to “Suicide movies.”

  1. Hypezinho do Barulho IS BACK! 29 de abril de 2011 às 1:19 #

    A tamanha pretensão desses escritos me dá vontade de estourar os miolos… do autor!

  2. Conrado 3 de maio de 2011 às 20:59 #

    huahuahauha, o filme francês é cabeça! só o brasileiro, que eu achei meio Hype, ficar puxando o saco do Bob Dylan.

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