Qué pasa no Chile? O ex-país de primeiro mundo que respira os ares da primavera árabe.

26 ago

por Gabriel Soares.
*Aos amigos chilenos que tentam erguer um novo Chile!

Por que o país queridinho dos EUA na América Latina corre o risco de paralisação geral após os intermináveis enfrentamentos com os estudantes nas esquinas da Alameda?

Há pouco tempo era comum ouvir que o Chile era o que havia de melhor sobre o gostinho de primeiro mundo na América do Sul. Lá chegou primeiro o aparelho celular, a primeira TV LCD, a primeira Starbucks… Ora, o que estaria acontecendo nesse país de onde nos chegam imagens mais parecidas com a Líbia do terceiro mundo e de Kadhafi, que ainda resiste pinochescamente a reinar?

Nos noticiários diários estamos mais próximos de Trípoli do que nossa quase vizinha Santiago, e obviamente ainda não nos demos conta do tamanho do problema que acontece no Chile. Hoje um estudante foi morto. Mais de mil já foram presos desde o inicio das manifestações há mais de três meses. E pra piorar, nos últimos dias, os protestos ganharam o apoio de outros segmentos da população gerando a possibilidade de uma greve geral.

Por que estão tão revoltosos os chilenos? Por que esse sopro da primavera árabe nas, até então, ruas ordeiras de Santiago, onde ainda hoje é proibido caminhar com uma longneck de cerveja.

A esquerda chilena governou por mais de vinte anos depois da saída de Pinochet, no entanto, não foi capaz de realizar as mudanças radicais que os vizinhos Brasil e Argentina realizaram no final dos anos 80. Tanto é, que depois de tantos anos a população se cansou da bonachona Michelet que, de uma maneira ou de outra, apenas continuou uma postura covarde da esquerda chilena, que mesmo chegando ao poder, deu continuidade a diretrizes da época do ditador Pinochet.

Continua a relação de sobrinho dos EUA, colocando o Chile numa posição de afastamento dos principais vizinhos (vemos os confrontos quase bélicos com Argentina, Peru e Bolívia); uma economia centralizada que hoje sofre na pele a crise do padrinho rico que já não pode pagar tanto pelo cobre chileno; um sistema de educação falido que sempre privilegiou a iniciativa privada e hoje é apenas a ponta do iceberg do problema chileno e motivo da intifada estudantil que só parece aumentar.

A juventude chilena representa não apenas os estudantes que estão descontentes por se cansarem de pagar pelos estudos que deveriam ser financiados pelo estado, mas uma grande parte do povo chileno em geral que, ávido por mudanças, chegou a eleger um popstar de direita que dançou Michael Jackson no CQC chileno antes de se eleger, e bancou o protagonista de filme hollywoodiano ao resgatar os mineiros. Mas nada mudou, e o povo definitivamente se cansou.

O triste e recente terremoto que abateu muitos chilenos parece ter servido de inspiração para a união desse povo, e fez renascer uma ânsia de nação independente, que cansou de se iludir com a ideia de primeiro mundo às custas de um apadrinhamento yankee.

Parece ter chegado a hora de o Chile reconhecer-se humildemente como nação latino-americana, vizinho de países como a Bolívia e o Peru, e dar lugar a uma relação menos imperiosa, podendo ajudar o Chile a resolver problemas internos e conseguir eliminar o estigma de uma Israel isolada na América do Sul.

O presidente Pinera ofereceu aos manifestantes algumas medidas provisórias que obviamente foram rechaçadas. O povo chileno não se contenta mais com medidas singelas e de pouco efeito. É requerida uma mudança radical na constituição que lamentavelmente ainda sustenta os viúvos da ditadura. Parece ter chegado a hora, décadas depois dos vizinhos, de o ex- país de primeiro mundo, o Chile, ser o último país sul-americano a conseguir uma soberania legítima, direitos mais sólidos para a população, e um reconhecimento justo à juventude que não aguenta mais continuar com a mordaça na boca.

Confesso que estou curioso para saber o que virá a seguir nessa história chilena. A impressa elegeu uma jovem de 21 anos, bonitinha, como líder de alguns focos da manifestação. Será que veremos uma revisão na lei que proíbe menores de 30 anos de se candidatarem a cargos políticos? Veremos, pois sinto o cheiro de algo realmente importante prestes a acontecer no país do cobre, dos mineiros, dos terremotos, da direita, dos primeiros aparelhos celulares… Da juventude intelectual e inteligente que seguramente escreverá novos signos na história chilena.

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